segunda-feira, 26 de maio de 2014

"We used to wait..."

Há algum tempo atrás, quando o encontrei, ele me disse"-É isso! Pensar leve! Levar a vida menos a sério!", quando o disse que essa era uma das coisas que ele havia me ensinado e que nunca iria me esquecer.
Gosto de lembrar do quanto ele realmente levava as coisas de forma leve, enquanto eu sempre pesava tudo,sempre me preocupava demais e queria encontrar sempre soluções. Talvez o que ele tenha tentado me dizer de verdade, é que eu deveria aproveitar mais os momentos e parar de pensar tanto.
Guardarei sempre essa lembrança alegre dele, sempre mesmo. E sei que em algum lugar, onde ele estiver, vai lembrar de alguma coisa que devo ter deixado com ele, como ele chegou a dizer, usando palavras bonitas sobre coisas que disse ter aprendido comigo, e fico feliz por ter contribuído em algo, até mesmo nas descobertas que ele chegou a fazer.
Sou daquelas que dificilmente gosta de verdade de alguém. Por isso, lá se vão quatro anos. Percebo meu corpo mudando, não só pela falta de regularidade na atividade física, pela falta de preocupação excessiva com o que eu como, mas por que sei que é assim mesmo, a gente nunca tem a a mesma aparência que tinha aos quinze anos, quando se está com trinta, mesmo que ainda me elogiem. Dia desses um desses moços disse: " -Você é linda!", ouço esse elogio com um tremendo estranhamento, embora eu até me ache bonita ás vezes, de vez em quando, nem sempre, com alguma frequência que poderia ser melhor. De alguma forma tenho deixado minha porção de "mulher sedutora" de lado. Na verdade acho que ando meio triste, não sei explicar essa tristeza. Sempre ecoa aquela voz:"-Pense leve! Não leve a vida tão á sério!". Nossa, quando ele me disse aquilo, parecia tão fácil. 
Há momentos em que desistimos. Não,minha vida não terminou aqui, eu sei disso, mas desistir de tentar de alguma forma e deixar se levar deve ser mais fácil.Não aguento mais tentar. Já deu! Encheu o saco! Parei! Para que corremos tanto atrás da existência de outro alguém que venha afirmar nossa importância? Por que simplesmente não nos amamos de uma forma tão autossuficiente que simplesmente não tenhamos que  precisar de outro para isso? Por que não é assim, tão simples? Ou será assim, tão simples?Gostaria de saber o que me falta então para chegar a esse nível de maturidade e conformidade. Às vezes só tenho vontade de chorar e ficar isolada do resto do mundo. Ah, aquele moço que me chamou de linda, só queria me comer mesmo, aquela velha história. Somos comida, não que eu não goste, quem não gosta? Mas eu gosto de sentimentos também, gosto de interação, de conexões, daquelas coisas que dizem que não acontece todos os dias. Aquelas coisas que dizem que quando acontecem devem ser agarradas, de vez. Meu ex me disse: "-Você vai encontrar a pessoa que procura.". Ele sabia que não era essa pessoa, será mesmo que estou nesse direito de encontrar alguém?Será que é isso que devo buscar? Será que não tenho a missão de viver assim, sem essa coisa de "encontrar alguém"? Será que ele mesmo já consegiu encontrar (apesar de eu mesma não fazer a mínima questão de saber)? Será que isso existe mesmo? Será que esse não é mais um daqueles desejos que são impregnados nas nossas cabeças desde pequenos para que venhamos a perseguí-lo por toda a vida como se fosse uma resposta para todas as nossas angústias que sofremos individualmente? Um alguém para compartilhar de nossas angústias? Um compartilhador de dores? Não era para sermos simplesmente felizes com o tal alguém? Ah, por favor! Isso não existe! Parem! Daí eu começo a pensar naquela frase que sempre nos dizem quando um relacionamento amoroso não dá certo, que acabo de descobrir que é uma frase de Shakespeare, e que nunca me disseram completa, hehehe:

Plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar, que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!” 
William Shakespeare


Bem,  essa parte de ser forte e tals, é coisa real mesmo, senão eu não teria conseguido superar a etapa de fim de um relacionamento longo. Ufa! O mais engraçado disso tudo, é que mesmo os novos relacionamentos, curtos e sem tanta intimidade assim são capazes de causar dores similares, por que infelizmente esse tal de sentimento não escolhe muito bem hora nem lugar, muito menos a pessoa certa, se ela existir, na maioria das nossas tentativas, aí você começa a gostar, mesmo que essa não tivesse sido a sua intenção desde  o início, e aí que você começa a estragar tudo, pois não consegue esconder, ainda mais se for como eu, que sou tão evidente em relação a qualquer coisa que sinto. Aí vem aquela ideia de: preciso me controlar ou vou estragar tudo. Depois vem um pensamento assim: preciso dizer o que sinto, senão nunca saberei o que poderia ter acontecido. Aí o desenrolar da história costuma ser bem parecido.

Enfim,quanta bobagem estou falando hoje. A gente dá importância para tanta coisa sem importância, o problema todo é que mesmo as coisas que não deveriam ter importância, elas existem e existindo ocupam espaço, e ocupando espaço podem nos tocar.  Vou ali planejar aula e tentar começar a assistir um filme antes de dormir (eu deveria dormir mais cedo :P).







I used to write,
I used to write letters I used to sign my name
I used to sleep at night
Before the flashing lights settled deep in my brain
But by the time we met
By the time we met the times had already changed
So I never wrote a letter
I never took my true heart I never wrote it down
So when the lights cut out
I was lost standing in the wilderness downtown
Now our lives are changing fast
Now our lives are changing fast
Hope that something pure can last
Hope that something pure can last
It seems strange
How we used to wait for letters to arrive
But what's stranger still
Is how something so small can keep you alive
We used to wait
We used to waste hours just walking around
We used to wait
All those wasted lives in the wilderness downtown
oooo we used to wait
oooo we used to wait
oooo we used to wait
Sometimes it never came
(oooo we used to wait)
Sometimes it never came
(oooo we used to wait)
Still moving through the pain
(oooooo)
I'm gonna write a letter to my true love
I'm gonna sign my name
Like a patient on a table
I wanna walk again gonna move through the pain
Now our lives are changing fast
Now our lives are changing fast
Hope that something pure can last
Hope that something pure can last
oooo we used to wait
oooo we used to wait
oooo we used to wait
Sometimes it never came
(oooo we used to wait)
Sometimes it never came
(oooo we used to wait)
Still moving through the pain
(oooooo) anekatips
we used to wait (x3)
We used to wait for it
We used to wait for it
Now we're screaming sing the chorus again
We used to wait for it
We used to wait for it
Now we're screaming sing the chorus again
I used to wait for it
I used to wait for it
Hear my voice screaming sing the chorus again
Wait for it (x3)

sábado, 24 de maio de 2014

O encantador

O encantador

Encanta a dor,

Encana a dor,

Desencana o amor,

É sacana com minha dor,

Me arranca o sabor,

Me engana com seu lado escritor,

Me esgana de dissabor,

Me provoca um amor.

Me exclui do seu redor,

Me traz de volta , desencobre o meu melhor,

Me abraça sem me conhecer,

Me escuta sem me querer,

Me mostra como é  amar.

Faz renascer em mim o me amar,

Me afasta e se traz de volta ao meu olhar,

Quando um dia nem queria mais te lembrar.

Me esquece e me lembra,

Me aquece e me lamenta,

Me enriquece e me acalenta,

Me adoece e me deixa sangrenta.

Porra de amor!

Porra de dor!

Porra de porra!

Torpor.

Me sacuda meu amor!

Me iluda por favor!

Me relembre essa dor!

Me faça esquecer, por favor.

Me abraça de amor.

Me transa de calor.

Me ataca sem dor.

Me exclui minha cor.

Me ama!

Me encanta!

Encanta minha dor.

Encanta a dor.

Encantador.

domingo, 11 de maio de 2014

Dia das mães

Quando eu era pequena, eu tinha medo de pedir as coisas pra ela:
"- Mãe, posso ir pro passeio da escola?
-Não, que é perigoso."
Aí, eu costumava ficar com muita raiva e me trancar no quarto e chorar até não ter mais fim. E quando era o dia do passeio, ficava em casa lendo, desenhando, aprendendo algumas palavras em inglês e sem entender por que eu estava sendo impedida de ir.
Quando eu era adolescente e minha mãe tinha se tornado minha amiga além de mãe:
"-Mãe, vou viajar com meus amigos pra cidade tal.
-Não vá, to com um pressentimento ruim sobre isso."
E eu, teimosa, fui, e minha mãe estava certa. Sei lá se vocês acreditam em pressentimento, só sei que foi a péssima ocasião em que ouvi pela primeira vez barulho de tiro e fiquei sem nadinha além da roupa do corpo.
Agora adulta e cheia de perguntas sobre a vida:
"-Mãe, quero tentar passar pelo menos um ano fora do país. Será que consigo? Mãe, quero fazer Letras, acho que não amo Turismo. Mãe, posso ficar aqui do seu lado?
-Pode sim filha. Você tem que tentar fazer logo o que você acha que vai te fazer feliz." E sempre me dá um abraço.
E sempre que chego em casa, que a barra tá pesada, ela está lá, me perguntando o que aconteceu, pronta para me dizer a verdade e para me dizer a famosa frase:
"- Ei minha filha, levanta a cabeça!"
E eu já disse pra ela hoje que eu a amo.
Feliz dia para todas as mamães!


E a minha mãe ama "The Carpenters":



We've only just begun


We've only just begun to live 
White lace and promises 
A kiss for luck and we're on our way 
We've only begun 

Before the rising sun we fly 
So many roads to choose 
We start our walking 
And learn to run 
And yes! We've just begun 

(*) Sharin' horizons that are new to us 
Watchin' the signs along the way 
Talkin' it over just the two of us 
Workin' together day to day, together 

(**) And when the evening comes we smile 
So much of life ahead 
We'll find a place where there's room to grow 
And yes! We've only just begun