To tentando achar inspiração, mas vou seguir umas dicas que minhas amigas mais experientes em escrever artigos me deram. Vou reler os textos de Foucault e Giddens e tentar ver novamente o que eu poderia fazer. É a primeira vez que irei escrever um artigo teórico sozinha, nunca fiz isso, espero que fique bom. A professora quer lançar uma coletânea, quem sabe meu artigo entra no meio, mas acho difícil. Eu li os artigos de outros alunos, que ela gostou, e vejo que até eu atingir aquele nível de escrita será necessário praticar e praticar.
Eu escolhi fazer mestrado porque estava passando por uma fase meio complicada, complexa, transformadora, diferente, divisora de águas, de amadurecimento, enfim, acho que todo mundo passa por isso ao menos uma vez na vida. Um momento de perda de estrutura emocional momentânea (que dura alguns meses, mas sempre tem as recaídas, até sua alma ficar totalmente curada) para enfim retornar ao ponto de equilíbrio. Com a ajuda de meus amigos, parentes, pessoas que me conhecem e que demonstram gostar de mim, acabei conseguindo entrar no mestrado.Óbvio que não foi fácil: tive que elaborar um projeto, apresentei o meu primeiro artigo num Fórum em São Paulo (claro que tinha o pretexto de viajar, nossa e que viagem boa!), estudei bastante pra fazer uma prova escrita e passei em sétimo lugar na classificação final. Me orgulho bastante disso, mas sei que o curso de mestrado em si será ainda mais desafiador do que o processo seletivo. Hoje até me perguntei: como vou concluir as disciplinas de mestrado todas se nem o primeiro artigo teórico da disciplina como aluna especial eu estou conseguindo escrever????OMG!!!Bom, na verdade eu sei que vou conseguir, mas pra isso eu terei que exigir mais de mim, me concentrar e enfim tentar fazer.
Fazer mestrado em Turismo nunca foi realmente o meu sonho, na verdade eu queria fazer um mestrado sim, mas acho que em outra área, em letras talvez, só que eu me formei em Turismo, foi meu primeiro vestibular. Quando eu fui fazer minha inscrição minha mãe me perguntou: "Porque você não faz Letras-Inglês? Você gosta tanto de idiomas!" e eu respondi sem pestanejar: " Mãe, eu não quero ser professora! Quero trabalhar e viajar bastante!"( gente, eu tinha 17 anos, perdoem minha ignorância, kkk). Sei que hoje me arrependo amargamente por ter falado isso, pois no meio do curso eu queria desistir e pensava: "Pra que serve esse curso??? Eu estagio em coisas que qualquer pessoa com Ensino Médio poderia fazer!!!". Cheguei a enrolar uns dois anos o curso, pagando uma ou duas disciplinas, por que pensava em fazer outro vestibular, largar de mão mesmo, só que nunca fiz o outro vestibular, só fazia estagiar e atrasar meu curso. Daí acabei concluindo.
As pessoas podem de repente se perguntar: "E por que você não foi atrás do que você realmente queria?", não sei, medo de passar muito tempo tentando vestibular, ver todo mundo se formando e eu ficando pra trás, ver que meus pais se orgulhavam de me ver na universidade enquanto eles nunca tiveram essa oportunidade.
Minha primeira experiência profissional foi como professora de inglês no curso que eu fazia, a minha professora me achava ótima aluna( e eu sempre adorei as aulas de inglês) e resolveu pedir para que eu fizesse o teste para a monitoria, me tornei monitora, tempos depois virei professora mesmo. Mas acabei parando de ensinar por que eu queria estagiar na área na qual eu estava me formando, afinal eu tinha que ter experiência para conseguir um bom emprego na área (era assim que eu pensava). Sei que primeiro estagiei no aeroporto durante 2 anos, em um hotel por 3 meses e em um parque ecológico um ano e pouco. Me formei, trabalhei 3 meses no hotel mais luxuoso de Natal( que nem é essas coisas todas, vale salientar!), me demitiram por que achavam que eu não tinha jeito pra função, daí entrei em outro hotel (pra desempenhar a mesma função) e fiquei por lá um bom tempo, até passar num concurso público temporário( sim, claro que tentei os concursos e ainda irei tentar novamente no futuro), daí houve um corte e me tiraram de lá. Esse corte foi bem na época em que houve aquela ruptura lá que eu falei, que foi o fim de um relacionamento de 6 anos e pouco sobre o qual não irei falar agora, nem sei se irei falar, por que é melhor deixar pra lá. Sei que foi duro passar por tudo isso ao mesmo tempo.
Aqui em casa, desde que eu comecei a trabalhar, meus pais se sentiram mais independentes (ou seja, eu compro o que eu precisar, não peço para eles e eles não me dão). Mas tudo bem, esse é o certo né? Daí, quando eu me vi sem trabalho, tendo que fazer das tripas coração, enviar currículo de novo, etc etc, me deu muita angústia e só sabia chorar, mais nada. E sempre fui do tipo que batalha, mas desta vez eu me vi completamente só no mundo. Aí Deus (sim, eu acredito nele!) colocou uma pessoa novamente no meu caminho (aliás, eu acho que ele sabia já que eu ia precisar e nunca deixou essa pessoa se afastar completamente) para que eu voltasse a me reestruturar, mas como tudo é sacrifício, foi aos poucos mesmo.Fui trabalhar fazendo pesquisas na rua, pesquisa de mercado, aonde eu abordava as pessoas (o povão mesmo) na rua e aplicava um questionário. Não vou dizer que fazer isso é fácil, eu tinha que fazer muitos questionários para receber uma graninha legal, levava muitos foras e fazia sozinha, sem ninguém pra me dar apoio moral e etc, algumas vezes voltava pra casa chorando, por que eu me sentia mal, por ser formada, já ter trabalhado numa instituição pública federal temporariamente (nossa, como eu me achava né?), e de repente ter que encarar esse trabalho com humildade. Mas eu fiz o que pude e encarei, achava até divertido, passava meu tempo, via outras pessoas e agradeço até hoje a Ju, por ter me dado essa oportunidade.Nossa, foi um rolé pra chegar até o mestrado, ainda tem mais e estou com preguiça de escrever agora. Depois eu termino.

